A Tesla se prepara para colocar o Cybercab, de dois lugares e sem volante, pedais ou retrovisores, em contato com passageiros em 2026, no serviço de robotáxi em Austin, Texas. Elon Musk vincula o futuro da empresa e seu pacote de remuneração trilionário a um sistema de baixo custo baseado apenas em câmeras e redes neurais apoiadas por inteligência artificial, em vez de sensores como lidar e radar, usados pelos concorrentes.
O Cybercab usará uma versão modificada do software Full Self-Driving (FSD) da Tesla e será monitorado por operadores remotos. O FSD dos veículos Tesla, por sua vez, continua sendo um sistema de assistência à direção Level 2, que exige supervisão humana. Autopilot e FSD foram associados a dezenas de mortes e milhares de acidentes. Como não haverá controles tradicionais, uma pessoa dentro do veículo não poderá intervir em caso de falha do sistema; a responsabilidade legal também será da Tesla.
No evento “Autonomy Day”, em 2019, Musk classificou o uso de lidar como desnecessário e caro. A Tesla também removeu o radar em 2022, apesar dos alertas de engenheiros de que poderiam ocorrer problemas de detecção sob chuva e luz solar. As câmeras podem ter dificuldades com reflexos, neve e neblina, enquanto estimam a profundidade e a distância por meio de software. A Waymo opera 4.000 veículos totalmente autônomos em até 14 cidades nos Estados Unidos, usando câmeras, radar e lidar. O co-CEO da Waymo, Dmitri Dolgov, defende que as câmeras, sozinhas, não são suficientes para alcançar uma segurança superior à humana.
Musk afirma que, graças às vantagens da produção em série, o Cybercab se disseminará mais rapidamente do que os veículos da Waymo e custará “menos de $30,000”. No entanto, para que a Tesla possa vender o veículo a indivíduos, a empresa precisa obter uma isenção das regras federais que exigem volante e pedais. Na California, também é necessária uma autorização do DMV para a operação totalmente autônoma. Como a operação remota será a principal solução de segurança em caso de falhas, os veículos estão sendo equipados com conexão Starlink.
O serviço operado pela Tesla em Austin desde junho de 2025 conta com aproximadamente 110 Model Y; o número de veículos que realizam viagens pagas varia periodicamente. A empresa afirma, com base em dados de 2 bilhões de milhas, que o FSD supervisionado se envolve em 40% a 90% menos acidentes do que a condução manual. Em contrapartida, a Tesla é associada a quase 4,000 acidentes, correspondentes a aproximadamente 85% das notificações do setor; registros independentes apontam cerca de 65 mortes relacionadas ao Autopilot ou ao FSD entre 2013-2025. Enquanto a NHTSA analisa as notificações de acidentes da empresa, a Tesla ainda não submeteu seus dados de segurança a uma verificação independente.
Por que isso é importante
Essa iniciativa torna mais visível a escolha entre o custo do hardware e a segurança da percepção na disseminação dos robotáxis. A abordagem da Tesla, baseada exclusivamente em câmeras, coloca em primeiro plano a questão de até que ponto se pode confiar nas estimativas de distância e profundidade do software em condições como chuva, reflexos, neve e neblina. A ausência de volante e pedais elimina a possibilidade de intervenção do passageiro em caso de falha, transferindo a responsabilidade para a empresa e os operadores remotos. Por isso, o serviço em Austin interessa não apenas aos usuários da Tesla, mas também aos órgãos reguladores e a todos os que se preocupam com a segurança dos robotáxis. A questão fundamental que permanece em aberto é se os resultados de segurança apresentados pela Tesla podem ser verificados de forma independente e se as autorizações existentes são suficientes para o uso comercial desses veículos.
Contexto
Musk não é um nome novo no arquivo do FikirPilot: publicamos uma notícia nos últimos 90 dias que mencionava esse nome; o texto é datado de 30 de agosto de 2026.