Quando a integração do ChatGPT pela Apple foi anunciada em 2024, Musk classificou-a como um acordo que permitia à OpenAI instalar um “software espião assustador” nos dispositivos dos utilizadores. Na ação judicial que abriu no ano seguinte, argumentou que a parceria prejudicava a concorrência nos mercados de smartphones e robôs de conversação ao criar um “monopólio” sobre os pedidos de inteligência artificial dos utilizadores da Apple. Alegou também que o Grok foi ilegalmente impedido de chegar ao topo da classificação da App Store.
Num documento apresentado ao tribunal na segunda-feira, Musk retirou definitivamente as suas reivindicações contra a Apple. Os termos de um possível acordo e o motivo da decisão não foram divulgados; as mesmas alegações contra a OpenAI, porém, mantiveram-se. Musk sustenta que a OpenAI monopolizou o mercado de robôs de conversação por meio do acordo, que a Apple sublinha não ser exclusivo.
A OpenAI classificou a ação judicial como uma tentativa de assédio motivada pelo facto de a sua rival SpaceXAI estar a ficar para trás. No outono passado, afirmou que Musk apresentou uma estimativa entre 0% e 55% para a parcela excluída do mercado e que se tratava de um “cálculo aproximado”. Embora tenha negado as infrações, a empresa disse em maio que a Apple não promoveu suficientemente a integração e concebeu os recursos de forma a serem difíceis de encontrar. Um executivo afirmou que se esperavam milhares de milhões de dólares por ano em receitas de assinaturas provenientes do acordo; quando a renegociação ficou bloqueada, foi considerada uma medida judicial.
Neste ano, Musk perdeu a ação judicial em que alegava que a OpenAI tinha abandonado a sua missão de desenvolver inteligência artificial benéfica para a humanidade, depois de o júri decidir por unanimidade que a ação tinha sido apresentada tarde demais. A Apple e a OpenAI argumentaram que Musk não poderia manter as suas alegações relativas a esse mercado por não fabricar smartphones. Neste verão, o tribunal decidiu que a Apple deveria entregar às empresas de Musk as comunicações internas relacionadas com o acordo.
Por que é importante
A retirada definitiva dos pedidos contra a Apple restringe o foco do processo, que passa das classificações da loja de aplicações e do mercado de smartphones para a posição da OpenAI no mercado de robôs de conversação. No entanto, como não foram divulgados os motivos da retirada nem os termos de um possível acordo, continua por esclarecer que papel desempenhou no processo a decisão de partilhar as comunicações internas relativas à integração da Apple. A manutenção das alegações contra a OpenAI mantém perante o tribunal a questão de saber se um acordo que, como a Apple também salientou, não é exclusivo limita de facto a concorrência. A estimativa de Musk, com um amplo intervalo, sobre a parte excluída do mercado, juntamente com os argumentos opostos das partes sobre infração, promoção e disponibilidade, faz dos dados concretos que sustentarão a alegação de monopólio a questão central do processo.
Contexto
A Apple não é um nome novo no arquivo do FikirPilot: nos últimos 90 dias, publicámos 95 notícias em que este nome foi mencionado; a mais recente é de 15 de setembro de 2026.