A consolidação dos processos de solução está estreitamente ligada não apenas às negociações diplomáticas e às regulamentações legais, mas também à forma como são explicados à opinião pública. O fato de as negociações serem conduzidas em grande medida a portas fechadas aumenta a desconfiança, pois a falta de informação é preenchida por bastidores, alegações e diferentes interpretações. Embora não seja necessário divulgar todos os detalhes das negociações, a condução reservada não deve significar falta de comunicação; é preciso oferecer informações regulares, claras e que transmitam confiança. A última controvérsia sobre o alevismo demonstrou essa necessidade. A declaração assinada por 53 pessoas, entre intelectuais alevitas, acadêmicos e personalidades conhecidas, fez críticas ao movimento curdo e ao processo de solução; no entanto, não representa toda a comunidade alevita. Um grande número de instituições e organizações alevitas apoia o processo. Também não seria correto ignorar as preocupações expressas na declaração por causa da identidade dos signatários. A presença histórica e atual dos alevitas no movimento curdo torna controversa a alegação de que o movimento é contrário aos alevitas. O copresidente do DEM Parti, Tuncer Bakırhan, destacou o papel e os sacrifícios dos alevitas dentro do movimento e disse que a questão do alevismo foi abordada em sua reunião com Abdullah Öcalan; ele afirmou que alguns setores tentam sabotar o processo apresentando o movimento como contrário aos alevitas.
Por que é importante
A questão central aqui é que o processo de solução deve ser conduzido não apenas por meio de contatos entre atores políticos, mas também por uma comunicação que leve em consideração as preocupações de diferentes segmentos da sociedade. O ambiente de informação limitada pode fazer com que diferentes posicionamentos dentro da comunidade alevita sejam percebidos como uma única opinião e que o debate se torne mais acirrado em torno das identidades. Por isso, embora a declaração assinada por 53 pessoas não represente todos os alevitas, ela mostra quais preocupações se tornaram visíveis no processo. As declarações de Bakırhan, por sua vez, destacam a dimensão histórica do debate ao apontarem para a presença alevita dentro do movimento curdo e para o fato de que a questão foi abordada nas negociações. A questão que permanece em aberto é como essas diferentes opiniões serão transmitidas ao público de forma regular e inclusiva.