O novo relatório “Limiting Overshoot” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) afirma que o aquecimento global ultrapassará o limiar de 1,5 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais. O relatório concentra-se em manter a superação tão breve e limitada quanto possível: prevê-se que as temperaturas subam primeiro, atinjam um pico e depois caiam. Como o ritmo atual de redução das emissões é insuficiente, é necessário reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa e remover dióxido de carbono da atmosfera. As metas de emissões líquidas zero não serão suficientes por si só. Os métodos de remoção de dióxido de carbono serão utilizados juntamente com reduções diretas das emissões, e não em seu lugar. A superação não significa abandonar as políticas climáticas.
Por que é importante
O quadro apresentado pelo relatório mostra que a política climática não pode estar vinculada apenas a metas de longo prazo de emissões líquidas zero. Para os tomadores de decisão, a questão é acelerar a redução das emissões e planejar a remoção de dióxido de carbono da atmosfera como complemento desses esforços, sem colocar um método no lugar do outro. Essa abordagem coloca no centro a limitação da magnitude e da duração da superação, em vez de aceitar como inevitável a ultrapassagem do limiar de 1,5 grau e flexibilizar as políticas. No entanto, permanecem em aberto as questões sobre em que medida a meta indicada pelo relatório poderá ser alcançada, com que rapidez as emissões serão reduzidas e dentro de quais limites as práticas de remoção de dióxido de carbono serão utilizadas. Por isso, o avanço gera um debate político mais relacionado à forma de implementação das metas climáticas do que à existência delas.