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Conheça os vencedores do Prêmio Ig Nobel de 2026

Atualizado: 05/09/2026 · 3 min de leitura · 588 palavras

Publicado: · Notícia recebida: · Tempo de processamento: 24 h 44 min

Conheça os vencedores do Prêmio Ig Nobel de 2026
Aviões de papel espalhados pelo palco

Os Prêmios Ig Nobel de 2026 reconheceram pesquisas que primeiro fazem as pessoas rir e depois pensar. Criados em 1991, os prêmios tiveram sua cerimônia realizada este ano na cidade suíça de Zurique, em vez de Boston, após 35 anos, devido a preocupações com a segurança das viagens para os EUA. As cerimônias incluíram óperas curtas, demonstrações científicas e as “24/7 lectures”, nas quais especialistas explicaram seus trabalhos em 24 segundos e sete palavras. No próximo ano, a cerimônia será realizada em Antuérpia e, em 2028, novamente em Zurique.

Matilda Brindle, Catherine Talbot e Stuart West definiram o beijo em formigas, aves, ursos-polares e seres humanos como “um contato boca a boca intraespecífico e direcionado, envolvendo o movimento dos lábios ou das partes bucais, sem transferência de alimento”. Os pesquisadores afirmaram que alguma forma de beijo é observada na maioria dos grandes primatas, mas que os gorilas-orientais parecem ter perdido essa característica evolutiva em algum momento. Também se chegou à conclusão de que os ancestrais neandertais beijavam.

Paul Piff, Daniel Stancato, Stéphane Côté, Rodolfo Mendoza-Denton e Dacher Keltner receberam o prêmio por sete estudos que mostraram que pessoas de classe alta são mais propensas a comportamentos antiéticos, como pegar doces destinados a crianças, cortar a frente de veículos e pedestres no trânsito ou mentir sobre os resultados de lançamentos de dados.

Sanchari Banerjee e seus colegas de trabalho demonstraram que as proteínas do leite da barata da espécie Diploptera punctata contêm três vezes mais energia do que as presentes no leite de vaca. Essa densidade energética resultou do fato de os cristais de proteína armazenarem os nutrientes de forma mais compacta.

João Miguel Alves-Nunes e sua equipe determinaram, em experimentos realizados com 75 cobras venenosas da espécie Bothrops jararaca, que a probabilidade de as cobras morderem aumentava durante o dia, em climas quentes e quando se pisava sobre suas cabeças. Essa tendência também era mais acentuada entre as cobras jovens, especialmente as fêmeas.

Randy Hurd e seus colegas relataram que o design em formato de Nautilus, que fazia com que a urina atingisse a superfície em um ângulo de 30 graus, evitava o ricochete; nos outros designs, foram observados até 50 vezes mais respingos. Justin Puma e sua equipe, por sua vez, usaram o aparelho bucal de uma fêmea de mosquito como bico de uma impressora 3B capaz de oferecer uma resolução de 18-22 micrômetros.

Os outros prêmios foram concedidos a estudos que constataram que o cheiro de bebês é considerado mais agradável pelos pais do que o cheiro de adolescentes, que as pessoas podem preferir amigos que tratam mal seus inimigos e que 1.000 roupas íntimas enterradas em mais de 25 países podem ser usadas para medir a saúde do solo.

Por que isso é importante

Os prêmios mostram que a pesquisa científica não se limita apenas a problemas que parecem grandes e sérios; comportamentos cotidianos, características dos animais e designs incomuns também podem gerar questões mensuráveis. O ponto em comum entre os estudos é a investigação, por meio de observação, experimentos e comparação, de temas que à primeira vista parecem estranhos; isso oferece um amplo panorama sobre as áreas em que o público pode acompanhar a curiosidade científica. Enquanto parte das descobertas deixa em aberto questões relacionadas ao passado evolutivo e aos comportamentos entre espécies, algumas colocam em discussão a relação entre comportamentos éticos e posição social. A mudança no formato da cerimônia também revelou que os prêmios estão relacionados não apenas aos resultados das pesquisas, mas também à forma como a comunicação científica é realizada.

Fonte de origem: Ars Technica