Cientistas encontraram fortes indícios de que o entrelaçamento quântico pode ocorrer entre partículas pesadas e de vida extremamente curta. O entrelaçamento, que significa que partículas provenientes da mesma fonte permanecem conectadas independentemente da distância e que Einstein chamou de “ação fantasmagórica à distância”, está na base das redes de comunicação seguras e dos computadores quânticos. No experimento ATLAS, no CERN, protões foram colididos a 99,99% da velocidade da luz, produzindo uma energia de 13 biliões de eletrões-volt e o bosão de Higgs. Descoberto em 2012, o Higgs comprovou a existência do campo que confere massa às partículas. Os primeiros indícios fortes de entrelaçamento foram detetados em dois bosões Z resultantes do decaimento do Higgs. As direções dos eletrões e muões deixados pelos bosões Z, que decaem em muito menos de um segundo, foram medidas com o detetor ATLAS.
Por que é importante
A descoberta amplia o âmbito das pesquisas sobre entrelaçamento para partículas pesadas e de vida extremamente curta. O decaimento do Higgs permite estudar, no mesmo contexto experimental, os processos relacionados com o campo que confere massa às partículas e o entrelaçamento quântico. Como os bosões Z decaem muito rapidamente, a análise baseia-se na medição das direções dos eletrões e muões que deixam para trás, e não tanto nos próprios bosões, o que torna determinante o papel do detetor ATLAS. Ao mostrar que o fenómeno que está na base das redes de comunicação seguras e dos computadores quânticos também pode ser investigado em colisões de partículas de alta energia, o resultado preserva a distinção entre uma confirmação definitiva e um forte indício experimental, uma vez que os dados disponíveis constituem fortes indícios.