A Besxar, uma startup fundada pela ex-funcionária da OpenAI Ashley Pilipiszyn, quer produzir os materiais precursores de semicondutores avançados aproveitando o vácuo do espaço. A empresa fechou um acordo para desenvolver um protótipo de fábrica orbital de semicondutores em cerca de uma dúzia de voos com o propulsor Falcon 9 da SpaceX. Os propulsores Falcon 9 viajaram ao espaço e retornaram à Terra 163 vezes no ano passado e já realizaram mais de 100 voos neste ano.
Nas fábricas de chips na Terra, são necessárias salas limpas pressurizadas para evitar que partículas danifiquem os chips durante a produção. Pilipiszyn argumenta que o vácuo do espaço poderia ser uma alternativa a essa infraestrutura. A Besxar captou cerca de $14 milhões em investimentos para esse fim, incluindo um investimento inicial de $9 milhões liderado pela Dauntless Ventures e pela Overture VC.
As duas primeiras pequenas cápsulas da empresa, chamadas de “fabship”, que transportam e testam materiais semicondutores em órbita, voaram em uma missão da Starlink em julho. O objetivo era que as cápsulas resistissem ao lançamento, protegessem amostras de wafer contra contaminação e as expusessem ao vácuo do espaço. Embora tenha ocorrido uma falha no sistema de dados de voo de uma das cápsulas, a Besxar informou que as amostras eram as mais limpas e continham a menor quantidade de partículas em comparação com wafers em terra que não haviam voado.
A Besxar continuará seus testes pelos próximos dois anos; nas etapas seguintes, planeja aquecer os wafers e adicionar uma, depois duas e mais camadas de materiais sobre eles. O objetivo final é colocar em órbita fábricas maiores com veículos como o Starship da SpaceX, que ainda está em desenvolvimento, e fornecer aos fabricantes wafers que serão usados em chips responsáveis pelo gerenciamento de energia em data centers, robôs e veículos elétricos. O nome da empresa vem do “beskar”, o metal da armadura Mandaloriana nos quadrinhos de “Star Wars Legends”. A United Semiconductors e a Space Forge também realizam trabalhos semelhantes; no entanto, fazer os produtos retornarem à Terra em quantidades significativas é um problema comum. A meta da Besxar de produzir centenas e, depois, milhares de wafers depende de foguetes baratos; para isso, a SpaceX precisa colocar o Starship em operação ou a Rocket Lab e a Stoke Space precisam desenvolver seus foguetes de próxima geração.
Por que é importante
Essa abordagem coloca em discussão um ambiente de produção alternativo à infraestrutura de salas limpas na Terra, usada para o controle de partículas na fabricação de semicondutores. A questão pode afetar especialmente os fabricantes interessados no fornecimento de materiais para chips que realizam o gerenciamento de energia em data centers, robôs e veículos elétricos. No entanto, obter amostras limpas não significa que etapas mais complexas, como o aquecimento em órbita e a adição de múltiplas camadas, também possam ser realizadas com a mesma confiabilidade. O principal problema que a Besxar enfrentará será ampliar os testes técnicos para a escala de centenas ou milhares de wafers que possam ser usados pelos fabricantes e trazê-los de volta à Terra de maneira econômica. Por isso, o plano da empresa depende não apenas da tecnologia de produção, mas também da criação de uma capacidade de lançamento com custo acessível.
Contexto
SpaceX não é um nome novo no arquivo da FikirPilot: nos últimos 90 dias, publicamos 2 notícias em que esse nome foi mencionado; a mais recente é de 30 de agosto de 2026.
Termo: semicondutor
Um semicondutor é um material que conduz eletricidade de acordo com as condições e constitui a base da produção de processadores; no setor, design, fabricação e empacotamento geralmente ficam a cargo de empresas diferentes.