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Caso Barreda: Como se glorifica um assassino?

Atualizado: 17/09/2026 · 2 min de leitura · 391 palavras

Publicado: · Notícia recebida: · Tempo de processamento: 38 min

Caso Barreda: Como se glorifica um assassino?
Caixas de provas dos arquivos policiais

Borges, nos seus ensaios sobre Dante, aborda o conceito de “assassino” como uma abstração; defende que o concreto é o indivíduo que, como Raskolnikov, age dentro de uma rede de circunstâncias. No entanto, o caso de Ricardo Barreda foi um dos feminicídios associados ao delírio masculino de poder e de ter razão.

O dentista Ricardo Barreda matou a tiro de espingarda a esposa, Gladys McDonald, a sogra, Elena Arreche, e as suas 2 filhas, Cecilia e Adriana, em 15 de novembro de 1992, na sua casa em La Plata. Recolheu os cartuchos, mudou de roupa, comeu num restaurante, encontrou-se com uma mulher e foi à praia de Punta Lara. À noite, regressou a casa e encenou um assalto; no hospital, disse que ladrões tinham entrado e que havia cadáveres na casa. A polícia rapidamente começou a suspeitar de Barreda. Durante o interrogatório, Barreda indicou onde estava a arma e contou como ocorreram os assassinatos.

A primeira audiência foi realizada 9 meses após o massacre. Os meios de comunicação concentraram-se mais na personalidade de Barreda, de 56 anos, do que nas vítimas. Foi relatado que ele disse ao advogado que “viver com aquelas mulheres era um inferno” e que a esposa desejava a sua morte. As reportagens baseadas na alegação de humilhação transformaram o perfil de um monstro numa narrativa de “vítima”. A entrada do tribunal encheu-se de apoiantes de Barreda.

Por que é importante

O caso oferece um exemplo de como a linguagem jornalística que, nos feminicídios, se concentra na personalidade do autor do crime e na humilhação por ele alegada pode relegar as vítimas para segundo plano. A tentativa de explicar as circunstâncias individuais de Barreda pode ser relacionada com a objeção de Borges ao conceito abstrato de assassino; no entanto, esta abordagem também torna visível a fronteira que a separa da narrativa de vitimização que justifica o assassinato de quatro mulheres. O apoio diante do tribunal revela que esta narrativa não se limitou ao enquadramento jornalístico e também se refletiu na reação pública. Ainda assim, o texto não apresenta provas mais concretas sobre a abrangência ou a frequência das publicações, nem sobre a forma como as vítimas foram representadas, que permitam concluir que os meios de comunicação distorceram o caso. Embora esta lacuna torne compreensível o sentido da crítica, deixa em aberto uma avaliação generalizável dos meios de comunicação.

Fonte de origem: Independent Türkçe · Compilado pelo editor Altay Tuna Emir.