Na Ucrânia, que sofreu pesadas perdas na operação de invasão iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022, os problemas relacionados ao recrutamento para o Exército estão se agravando. Heorhiy Mazuraşu, deputado de 55 anos que deixou o Partido Servo do Povo em 2024, criticou, em uma entrevista publicada em seu canal no YouTube na quarta-feira, a detenção de candidatos e seu embarque forçado em ônibus, bem como a impossibilidade de retirar do serviço soldados exaustos para que o efetivo fosse mantido. Dizendo que essas práticas fazem o país parecer uma “nação estupradora”, Mazuraşu pediu um recrutamento voluntário apoiado por melhores condições, salários mais altos e fortes garantias sociais. Na Ucrânia, homens entre 25 e 60 anos podem ser convocados para o Exército por meio da mobilização. À medida que a guerra se aproxima de seu 5º ano, discute-se a possibilidade de uma nova mobilização pelo Kremlin; Dmitriy Medvedev classificou como “absurdo” a alegação de Volodimir Zelenski.
Por que isso é importante
O debate sobre o recrutamento militar na Ucrânia não trata apenas do envio de mais pessoal para a frente de batalha, mas também levanta a questão de como o peso da guerra é distribuído na sociedade. As críticas à detenção forçada e à impossibilidade de soldados exaustos deixarem o serviço tornam visível a tensão entre a necessidade de recursos humanos do Exército e o apoio da opinião pública. Por isso, o debate se estende a uma área em que as condições de serviço e as garantias sociais são determinantes, especialmente para homens em idade de prestar o serviço militar e suas famílias. O apelo à participação voluntária deixa em aberto as questões sobre até que ponto o método atual pode ser mantido e em que condições os soldados exercerão suas funções. As declarações contraditórias em torno da possibilidade de uma nova mobilização pelo Kremlin também mostram que esse debate não é apenas uma questão de política interna.