O ex-presidente dos EUA Barack Obama afirmou, durante um evento privado de arrecadação de fundos organizado pelo Partido Democrata em Manhattan, que a inteligência artificial pode ser “perigosa” se não for suficientemente regulamentada. Dirigindo-se ao líder da minoria na Câmara dos Representantes dos EUA, Hakeem Jeffries, Obama, de 65 anos, declarou que os democratas deveriam elaborar uma política clara para a inteligência artificial caso conquistassem a maioria nas eleições legislativas de novembro. Obama, que foi presidente de 2009 a 2017, pediu que os candidatos nas eleições de 2028 transformassem a inteligência artificial em uma “principal pauta” e apresentassem planos para a segurança infantil, a transformação econômica e as perdas de empregos. Ele também afirmou que a tecnologia pode trazer benefícios para o desenvolvimento de medicamentos e a energia limpa. Enquanto o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu a redução do ritmo de desenvolvimento, o CEO da OpenAI, Sam Altman, apoiou a proposta. Jacob Coxon, ex-funcionário da Anthropic, afirmou que trabalhadores do setor acreditam que os sistemas podem “destruir a humanidade” em 10 anos.
Por que isso é importante
O fato de o debate sobre a inteligência artificial deixar de ser uma questão tecnológica e se tornar um tema da política eleitoral e da administração pública mostra que as decisões não serão moldadas apenas pelas empresas. A segurança das crianças, as possíveis perdas de empregos e a transformação econômica constituem temas concretos de política pública para os grupos que serão diretamente afetados pelo uso da tecnologia. O equilíbrio entre os possíveis benefícios em áreas como o desenvolvimento de medicamentos e a energia limpa e os riscos que o desenvolvimento descontrolado pode criar desponta como a principal questão que definirá a abordagem dos partidos políticos. No entanto, ainda não está claro que tipo de regulamentação os democratas preparariam caso conquistassem a maioria, nem como os apelos relacionados ao ritmo de desenvolvimento do setor se refletiriam nas decisões políticas.